“Há um conto oriental que fala sobre um mago muito rico que tinha um grande número de ovelhas.

Mas, ao mesmo tempo, esse mago era muito mesquinho.

Ele não queria contratar pastores nem queria construir cercas ao redor do pasto onde as ovelhas pastavam.

As ovelhas, por conseguinte, muitas vezes vagavam pela floresta, caindo em barrancos e assim por diante mas, acima de tudo, fugiam, pois sabiam que o mago queria a sua carne e suas peles, e isso elas não gostavam.

Por fim, o mago encontrou uma solução. Ele hipnotizou as suas ovelhas e sugeriu-lhes, em primeiro lugar, que elas eram imortais e que nenhum dano lhes era feito quando lhes tiravam a pele; que, ao contrário, seria muito bom para elas e até agradável.

Em segundo lugar, ele sugeriu que ele, o Mago era um bom mestre que amava o seu rebanho tanto que estaria pronto para fazer qualquer coisa no mundo pelas suas ovelhas.

Ele sugeriu que, se alguma coisa iria acontecer com elas, não iria acontecer naquele momento, muito menos naquele dia e, portanto, não tinham necessidade de pensar nisso.

Além disso, o mago sugeriu as suas ovelhas que nem todos eram ovelhas e que alguns entre eles, eram leões, outros eram águias, para alguns que eram homens, outros que eram magos.

Depois disso, todos os seus cuidados e preocupações com o seu rebanho chegou ao fim.

Nunca mais nenhuma ovelha fugiu novamente, e todas esperavam em silêncio o momento em que o mago exigiria sua carne e peles.

Este conto é uma boa ilustração para a posição do homem.”

G.I. Gurdjieff, citado por P.D. Ouspensky em seu livro, Em Busca do Milagroso, 1949
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